segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Afinal, o que é a Doença Renal Crônica?

O número de pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) vem aumentando de forma significativa no Brasil e no mundo. Atualmente, a DRC é considerada um problema de saúde pública, pois se estima que cerca de 1,4 milhão de brasileiros apresentam algum grau de disfunção renal. Como essa enfermidade afeta praticamente todos os órgãos e sistemas do organismo, não é rara a ocorrência de importantes distúrbios nutricionais, entre eles a desnutrição energético-proteica. Além disso, intervenções dietéticas específicas têm papel fundamental no tratamento e na prevenção das inúmeras complicações que acometem esses pacientes.

A Doença Renal Crônica (DRC) é a perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais. As principais causas são glomerulonefrite crônica, as pielonefrites, diabetes mellitus, hipertensão arterial, rins policísticos e doenças congênitas. Por ser lenta e progressiva, esta perda resulta em processos adaptativos que, até certo ponto, mantém o paciente sem sintomas da doença. Até que tenham perdido cerca de 50% de sua função renal, os pacientes permanecem quase que sem sintomas. A partir daí podem aparecer sintomas e sinais que nem sempre incomodam muito o paciente. Assim, anemia leve, pressão alta, edema dos olhos e pés, mudança nos hábitos de urinar (urina muito clara, sangue na urina, etc.).

O rim é um órgão que constitui um sistema de filtragem, formado por milhões de néfrons contidos na mesma cápsula sendo que cada um é unidade funcional autônoma composta por um glomérulo, por túbulos e ductos coletores. Têm como função eliminar resíduos que são produzidos na degradação dos alimentos e na atividade muscular normal (ureia e creatinina), controlar a concentração dos líquidos corpóreos, participa na regulação do equilíbrio ácido-básico do organismo, mantém a composição iônica do volume extracelular, além de sintetizar hormônios e enzimas que ajudam o corpo na regulação da pressão arterial (renina), na fabricação de células vermelhas (eritropoietina) e no fortalecimento dos ossos (1,25 – diidroxivitamina D).

O tratamento global da DRC deste ponto até que os rins estejam funcionando somente 10-12% da função renal normal, os pacientes são tratados com medicamentos e dieta. Quando a função renal se reduz abaixo destes valores, torna-se necessário o uso de outros métodos de tratamento, ou seja, diálise ou transplante renal, o tratamento tem como meta auxiliar a redução do ritmo da progressão da DRC utilizando orientações dietéticas, controle dos distúrbios metabólicos e da sintomatologia urêmica. O tratamento medicamentoso tem como objetivo o controle das doenças crônicas instaladas, bem como a correção de distúrbios metabólicos e urêmicos

Em relação ao tratamento nutricional conservador, temos como características dietoterápicas, dietas normocalórica, hipercalórica somente em casos do peso corporal estiver abaixo do recomendado ou com diagnóstico de desnutrição, hipoproteica sendo 60% proteínas de alto valor biológico, hipossódica, hipocalêmica, restrita em fósforo e líquidos se necessário. 

sábado, 11 de outubro de 2014

Frutas e Doença Crônica Renal


Assim como a National Kidney Foundation indica dieta hipocalemica, o potássio é algo a ser pensado na dieta do paciente renal crônico. Como as fruta têm alto teor de potássio, deve-se tomar cuidado para não consumir frutas que são fontes deste, como pêssego, mamão, banana, entre outros. E dar prioridade para o consumo de frutas que não são fontes, tais como maçã, abacaxi, limão maracujá, mexerica e outros.

Carambola
A Carambola (Averrhoa carambola) pode ser encontrada em diversos países tropicais além do Brasil. Pode ser consumida in natura, em sucos e sua polpa pode ser utilizados para preparações como doces, vinhos, licores e sobremesas. Trata-se de uma fruta fonte de minerais, vitaminas A, C, complexo B e ácido oxálico (oxalato).
Na literatura são encontrados diversos estudos mostrando os efeitos tóxicos da carambola em indivíduos portadores de Doenças renais em hemodiálise. Os efeitos descritos estão associados à alta concentração do oxalato presente na fruta que pode levar a formação e deposição de cristais de oxalato de cálcio nos rins, provocando obstrução dos túbulos renais e induzir apoptose das células epiteliais renais.
 Diversas são as manifestações clínicas decorrentes do consumo tanto da fruta, como da polpa da carambola. Entre as manifestações destacam-se soluços sem controle, vômitos, fraqueza muscular, insônia, distúrbios de consciência, agitação, convulsão e morte.

Maçã (↓ potássio)
Analisando a tabela TACO (Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos) 4° edição de 2011, estão presentes dois tipos: Fuji e Argentina.  A quantidade de potássio em 100g de maçã Fuji é de 75 mg, e a do tipo Argentina é de 117 mg, sendo assim o tipo de maçã mais indicado para consumo de uma paciente portador de Doença Renal Crônica é a do tipo Fuji.
A cocção dos alimentos também é uma técnica usada como estratégia de diminuição do potássio para paciente com dieta restrita nesse nutriente, CUPPARI e colaboradores em 2004, realizaram um estudo comprovando que a cocção feita duplamente pode e deve ser uma técnica adotada neste caso, a perda percentual total de potássio dentro de todos os alimentos estudados ficou entre 81 e 91%, nesse estudo a maçã também foi analisada e constatou-se que a maçã crua tinha uma média de potássio de potássio e quando cozida duas vezes esse valor reduziu quase dez vezes.